TRANSTORNO BIPOLAR DO HUMOR
Autoria: Dra. Ana Beatriz Barbosa
Silva
O transtorno
bipolar do humor é uma enfermidade que se
caracteriza pela alternância de episódios de euforia e episódios de
depressão, com épocas de normalidade nos intervalos. Em
geral, os episódios se repetem a intervalos menores com o passar
dos anos.
Alguns pacientes apresentam mais períodos de depressão do que
de euforia, enquanto outros mais euforia do que de depressão.
Casos exclusivos de mania são raros.
Episódios repetidos de depressão caracterizam o transtorno unipolar
- também chamado de depressão unipolar (ver descrição de
depressão).
O que é euforia?
Na euforia existe uma exaltação do humor,
com aumento de energia de forma desproporcional ou sem relação com
eventos da vida. O paciente se irrita
facilmente ("pavio curto") e o fluxo das idéias está acelerado.
Familiares e pessoas à sua volta percebem claramente esta mudança
de humor que, quase sempre, ocorre de maneira abrupta. O
paciente não percebe que algo está errado. Atribui a mudança de
humor a fatores situacionais, opondo-se aos argumentos médicos e
familiares.
Sintomas mais importantes do transtorno
bipolar do humor
Irritabilidade e
impaciência;
Pensamentos acelerados, fala rápida;
Ideias de grandeza;
Sentimentos de bem-estar, alegria ou
raiva;
Otimismo exagerado;
Gastos excessivos, endividamentos;
Distraibilidade;
Aumento da disposição;
Começa muitas coisas simultaneamente e não
consegue terminar;
Inquietação física;
Desinibição exagerada, comportamento
provocativo ou mesmo ofensivo;
Aumento da libido;
Insônia;
Delírios e alucinações podem ocorrer somente em
casos graves.
O que é
hipomania?
Trata-se de um estado de euforia mais leve,
onde há um predomínio claro da irritabilidade em vez da alegria.
A hipomania é bem mais comum que a
euforia (também chamada de mania).
Na hipomania a irritabilidade e a impaciência são desencadeadas com
os mínimos estímulos. As pessoas se sentem
facilmente provocadas e desafiam os que convivem com elas, gerando
brigas e discussões. Muitas vezes a própria família não
percebe e fica desgastada porque o diálogo se torna
impossível.
Consequência eufórica
Pessoas com transtorno bipolar consultam em
média quatro médicos e levam mais de nove anos antes de receber o
diagnóstico correto. O reconhecimento precoce
e a terapêutica adequada ajudam a evitar uma série de
consequências, tais como: ato auto-agressivo, abuso de álcool e/ou
drogas (em mais de 60% dos pacientes), endividamentos, perda de
trabalhos e relações conjugais.
O que é estado misto?
Quando a pessoa apresenta sintomas de depressão e de euforia alternados no mesmo
dia, ela está apresentando um transtorno bipolar
misto.
O estado misto frequentemente não é diagnosticado porque o paciente pode acordar se sentindo apático, sem
energia e ir melhorando no decorrer do dia a ponto de ficar mais
alegre, falante e ativo ao entardecer e à
noite.
Qual a causa do transtorno
bipolar?
Os estudos indicam que o componente genético
é fundamental. Parentes próximos aos que
sofrem de transtorno bipolar do humor estão mais predispostos a
desenvolver a doença do que a média das
pessoas.
Qual a prevalência do transtorno bipolar do
humor?
Estima-se que 4,9% da população sofram de doença
bipolar, considerando-se os que apresentam hipomania (a
forma de euforia mais leve).
A doença se inicia em geral na adolescência ou na idade de
adulto-jovem (20-24 anos).
O transtorno bipolar tem
cura?
A doença é recorrente e futuros episódios
serão evitados através do controle da manutenção do
tratamento.
O tratamento
Varia de acordo com a fase da doença:
Fase aguda: visa controlar o episódio
eufórico;
Fase de manutenção: visa prevenir futuros
episódios.
Ele sempre será composto de medicamentos, orientação e
psicoterapia.
Como existem várias opções de terapêutica medicamentosa para o
transtorno bipolar do humor, o diálogo com o
médico é fundamental para se estabelecer o esquema mais adequado e
confortável para cada paciente.
Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva
Médica graduada pela UERJ com pós-graduação em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora Honoris Causa pela UniFMU (SP) e Presidente da AEDDA - Associação dos Estudos do Distúrbio do Déficit de Atenção (SP). Diretora técnica das clínicas Medicina do Comportamento do Rio de Janeiro e em São Paulo, onde faz atendimento aos pacientes e supervisão dos profissionais de sua equipe. Escritora, realiza palestras, conferências, consultorias e entrevistas nos diversos meios de comunicação, sobre variados temas do comportamento humano.
Livros
Publicados:
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Inquietas - TDAH: Desatenção, hiperatividade e impulsividade
[Publicação revista e ampliada]
Mentes
& Manias
Sorria,
você está sendo filmado (em parceria com o publicitário Eduardo
Mello)
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Inquietas: Compreender o distúrbio do défice de atenção
(DDA)
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