Home Data de criação : 10/02/18 Última atualização : 11/10/17 11:35 / 11 Artigos publicados

Mentes Perigosas  escrito em segunda 11 abril 2011 07:15

 

 

Blog de dricamelo : Reflexões e Itinerâncias, Mentes Perigosas MENTES PERIGOSAS:
O psicopata mora ao lado

 

 

Autora: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Objetiva/Fontanar



Frios, manipuladores, cruéis e destituídos de compaixão, culpa ou remorso. Utilizam-se de seu charme e inteligência para impressionar, seduzir e enganar quem atravessa o seu caminho. Estão camuflados de executivos bem-sucedidos, bons políticos, bons amigos, "pais e mães de família" e não costumam levantar suspeitas sobre quem realmente são.

Estes são os psicopatas, e, quando pensamos em um deles, logo imaginamos um sujeito violento, com aparência de assassino e que pode ser reconhecido em qualquer lugar. Não é tão simples quanto se pensa. A maioria nunca vai chegar ao extremo de cometer um assassinato e se passa por pessoa "comum". Entre homens e mulheres, 4% da população apresentam esse lado sombrio da mente.

A doutora Ana Beatriz Barbosa Silva nos esclarece que os psicopatas são indivíduos que podem ser encontrados em todos os segmentos da sociedade. Neste livro você vai saber um pouco mais sobre esse intrigante universo e aprender a reconhecer aqueles que vivem entre nós, se parecem fisicamente conosco, mas definitivamente não são como nós.

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A busca desenfreada  escrito em segunda 11 abril 2011 07:00

Blog de dricamelo :Reflexões e Itinerâncias, A busca desenfreada

 

ESTÉTICA - A BUSCA DESENFREADA 
 

* Dra. Desirèe Monteiro Cordeiro (Psicóloga - CRP 06/69331)

 

 

A questão aqui não é apenas a busca por mudanças, pois elas têm a sua função de manter um equilíbrio entre corpo e mente, mas sim a busca desenfreada por uma mudança que venha para auxiliar a resolução de problemas.

Estética corporal é um assunto em evidência desde que as pessoas começaram a se enxergar através de uma busca do outro por si. Ou seja, queremos ser iguais a alguém que tem fama, poder, reconhecimento pelo que aparenta ser, e não sabemos o que de fato essa pessoa é.

Trata-se de uma imagem incorporada pela mídia, que compramos todos os dias como uma verdade. Perdemos nossa capacidade de sermos diferentes uns dos outros de forma saudável, perdemos também a nossa personalidade independente da aparência. É uma imposição na qual se busca o reconhecimento e a valorização do outro, não pelas qualidades e caráter de cada um, mas sim pela forma de relação através da imagem transmitida pelas pessoas, e não pelo que realmente elas são.

Diante disso, o número de homens e mulheres que buscam mudanças em seus corpos aumenta dia a dia. O grupo de pesquisas InterScience, em julho de 2006, fez uma pesquisa sobre o comportamento do brasileiro de forma geral. Dos 12.477 entrevistados, 90% das mulheres e 65% dos homens afirmaram sonhar com mudanças no próprio corpo; 5% já tinham feito alguma plástica, e 90% pretendiam fazer outra. Entre os que nunca fizeram uma cirurgia plástica, 30% declararam que esperavam criar coragem para realizá-la. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Minas Gerais que realizou uma pesquisa em novembro de 2005, as cirurgias estéticas, pelas quais se procura apenas melhorar o visual, representam 60% das cirurgias plásticas. A maioria delas são lipoaspirações, seguidas das cirurgias de mama, face e abdômen. Nesse tipo de cirurgia, as mulheres representam 81%. Nas reparadoras, os homens são 49%. Isso sem levar em conta academias, tratamentos dentários estéticos, SPAs e tudo mais que coloque em foco a questão estética.

Esses números nos mostram que algo está deslocado. Insatisfação faz parte do ser humano, e isso é bom, pois nos motiva a buscar cada vez mais meios para melhorar o que já somos. A questão é como fazemos isso. Será que essas cirurgias são capazes de transformar uma pessoa? E para que? Como?

Acredito em qualidade de vida! De fato, se cada um parar para se perguntar se tem algo que gostaria de mudar, a resposta é afirmativa. Quando algo nos incomoda a ponto de nos impossibilitar contato social, profissional e/ou pessoal, algo deve ser feito para mudar. Mas, nem sempre a cirurgia estética radical é o caminho. Se perguntar se um tratamento menos invasivo não seria suficiente, deveria fazer parte desta busca.

Na maioria dos casos não há uma preocupação apenas com a qualidade de vida, que é subjetiva na questão estética. Mas sim, uma mudança radical na vida dessas pessoas. São detalhes que incomodam tanto que deixam pessoas sofrendo cada vez mais, e buscando formas de mutilações para aliviar tamanho sofrimento.

Para a avaliação de uma cirurgia estética é necessário um critério ético do profissional que irá realizar tal cirurgia. Atualmente, alguns cirurgiões contam com uma equipe multidisciplinar para avaliar o paciente que deseja se submeter a essa cirurgia. O psicólogo tem papel fundamental nessa avaliação, com o objetivo de investigar o que está por trás dessa busca por transformações, como essas pessoas que buscam cirurgias se comportam e o que esperam. É comum ouvir de pacientes que, "uma cirurgia estética disso ou daquilo resolveria minha vida". Esta fala deveria ser encarada como um sinal amarelo para uma cirurgia. Deve-se trabalhar neste momento levantando as expectativas e pontuando que a cirurgia não irá mudar quem se é, mas apenas aliviará algum tipo de sofrimento. O profissional também deve mostrar que não há uma "mágica" capaz de transformar o ser humano. Apesar da aparência modificada, continuaremos sendo os mesmos. O ser humano é mais complexo do que apenas sua aparência!

É o mesmo princípio de sonhar em ganhar na mega sena e resolver todos seus problemas! As pessoas de um modo geral buscam resultados para suas vidas, porém o que nos preocupa é o que as motiva. Imaginar que uma cirurgia estética possa resolver nossos problemas é sonhar com uma fórmula mágica, que em alguns casos pode deixar tudo pior do que era. Avaliar riscos e pós-operatório junto ao paciente é um dever de cada profissional envolvido na questão. Verificar a real intenção em se fazer uma mudança estética é fundamental nessas situações.

 


Dra. Desirèe Monteiro

(Psicóloga - CRP 06/69331)

Psicóloga formada pela PUC-SP. Especialista em psicodrama pelo convênio SOPS/PUCSP. Mestranda pela faculdade de Medicina da USP no programa de psiquiatria. Psicóloga responsável pelo AMTIGOS (ambulatório de transtorno de identidade de gênero e orientação sexual no IPQ-HCFMUSP). Experiência profissional com ênfase em Psicologia Clínica, atendendo crianças, adolescentes e adultos, individual e em grupo, atuando principalmente nos seguintes temas: sexualidade, crianças e adultos em grupo de risco. Psicóloga da clínica Medicina do Comportamento - SP, sob a direção da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva e Dr. Diego Amadeu Batista Bragante.



E-mail: saopaulo@medicinadocomportamento.com.br

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Bullying  escrito em sábado 09 abril 2011 17:04

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Bullying  escrito em segunda 11 abril 2011 07:21

 

 

Blog de dricamelo : Reflexões e Itinerâncias, Bullying BULLYING:
Mentes perigosas nas escolas

 

 

 

 

 

Autora: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Objetiva/Fontanar

 

De origem inglesa, a palavra bullying corresponde a um conjunto de atitudes de violência física e/ou psicológica que ocorrem nas instituições de ensino. É um tipo de agressão intencional, que ridiculariza, humilha e intimida suas vítimas. Algumas crianças, por serem diferentes de seus colegas - altos ou baixos demais, gordinhos ou muito magros, tímidos, nerds, mais frágeis ou muito sensíveis -, sofrem intimidações constantes. Discriminados em sala de aula, as vítimas de bullying, na maioria das vezes, sofrem caladas frente ao comportamento de seus ofensores. E as consequências podem ser desastrosas: desde repetência e evasão escolar até o isolamento, depressão e, em casos extremos, suicídio e homicídio.

Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, mesma autora de "Mentes Perigosas" e "Mentes Inquietas", como é normal que as crianças impliquem uma com as outras, se dêem apelidos e briguem de vez em quando, nem sempre é fácil identificar quando o problema aparece. Por isso, é preciso que pais e professores estejam atentos para que percebam quando brincadeiras sadias, que ocorrem de forma natural e espontânea entre os alunos, se tornam verdadeiros atos de violência e perversidade -apenas alguns se divertem à custa de outros que sofrem.

Em "Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas", a dra. Ana Beatriz faz uma análise profunda sobre um dos tipos de violência cada vez mais noticiado, que precisa com urgência ser combatido. "Além de os bullies -os agressores - escolherem um aluno-alvo que se encontra em franca desigualdade de poder, geralmente este também já apresenta uma baixa autoestima. A prática de bullying agrava o problema preexistente, assim como pode abrir quadros graves de transtornos psíquicos e/ou comportamentais que, muitas vezes, trazem prejuízos irreversíveis."

"No exercício diário da minha profissão, e após uma criteriosa investigação do histórico de vida dos pacientes, observo que não somente crianças e adolescentes sofrem com essa prática indecorosa, como também muitos adultos ainda experimentam aflições intensas advindas de uma vida estudantil traumática", alerta a psiquiatria.

De forma acessível e muito esclarecedora, o livro faz uma investigação do problema, trazendo informações necessárias aos pais, professores, alunos e profissionais de diversas áreas para identificar esse tipo de violência e suas consequências, como também o que se pode fazer para combatê-la.

 

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Reflexão: O que Maquiavel nos ensinou sobre a "natureza humana"  escrito em segunda 11 abril 2011 07:24

Blog de dricamelo :Reflexões e Itinerâncias, Reflexão: O que Maquiavel nos ensinou sobre a 'natureza humana'

 

 

 

"A ambição nos faz maus, assim como os desejos nos tornam moralmente fracos."

Maquiavel

Nem otimista, nem ingênuo. Maquiavel é um realista. E sua realidade não é idealizada, não é uma metafísica. Ela vem da história e dos flagrantes da vida dos homens. O homem, para Maquiavel, não é um ser dividido entre razão e paixões. Não há uma natureza humana dupla. O homem é o que é, sem oposição entre um homem considerado pelos seus aspectos individuais e sociais. Não há uma transição da natureza humana.

(...) Razão e paixão não são duas partes distintas de um ser, mas dois atributos irrenunciáveis do homem. Resta-os compreender como elas determinam nossa conduta. Comecemos pelas paixões.

O homem é um ser passional. Das paixões, um destaque: o desejo. O homem é desejante, aje por desejo, busca seus desejos, são eles que o movem. E isso vale para todos. Sem exceções. Todos somos desejantes, mas isso não quer dizer que todos desejemos as mesmas coisas e nem da mesma forma.

Maquiavel encara como fato que sejamos todos desejantes e que os desejos são causa fundamental de nossas ações. Certo disso, o que lhe interessa dos desejos é o agir do homem em função deles. Não lhe importa o desejo que não chega a converter-se em ação. Desejos contidos são irrelevantes, mas as atividades que somos capazes de cometer para alcançar o que desejamos fascinam Maquiavel. Isto transparece na empolgação com que narra em sua correspondência e obras políticas os feitos dos grandes homens para atingir o que desejam.

(...) A ambição nos faz maus, assim como os desejos nos tornam moralmente fracos. Aprendemos isto e julgamos Maquiavel como um homem que fala dos desejos e da ambição. Alguém, portanto, que nos conduz à fraqueza e ao mal. Sua política não pode ser seguida! Ela não pode ser lido, pois é um maldito!

Amaldicoamos Maquiavel porque aprendemos a amaldiçoar a nós mesmos. Porque aprendemos a negar a ambição que há em nós, assim como nossos desejos. Nos gabamos de nossa racionalidade, nunca de nossas ambições. À ambição opomos a humildade, como virtude que, ao calar a ambição, permitiria que a razão governasse livremente. É a complacência para com a ambição o que nos choca em Maquiavel.

(...) Maquiavel não é amoral, mas realista, porque sabe que não faz sentido condenar a natureza humana. Não adianta desejar que o mundo seja outra coisa diferente do que é.

Mas o fato é que desejamos que o mundo seja outra coisa, que nós sejamos outra coisa. Pouco importam as contradições ou ilusões que isso implica. A idéia da natureza humana tal qual nos propõe Maquiavel, una, intrasponível e invalorável, nos angústia. Resistimos à idéia da natureza humana porque vivemos em tempos que louvam o individualismo, de maneira que qualquer apelo anti-individualismo é automaticamente associado a autoritarismos. Nós acreditamos livres de nós mesmos, até mesmo de nossa natureza. Ou preferimos uma idéia de natureza humana em potência porque ela não é apenas um conceito biológico ou meramente definidor do homem, mas um conceito politicamente interessante.

(...) Quando admitimos uma natureza humana em potência, permitimos que dividamos a humanidade entre bons e maus, tendo em vista a natureza de cada indivíduo. Nos tomamos maniqueístas e afirmamos que os inimigos são maus e, ao mesmo tempo, que nós somos bons. Satisfazemos nossos egos e ainda nos desidentificamos de nossos inimigos a ponto de podermos impalá-los sem que com isso tenhamos que prestar contas a uma eventual consciência. Afinal, eles não são humanos, são desumanos.

 

Fragmento de texto extraído do livro "Somos maquiavélicos - O que Maquiavel nos ensinou sobre a natureza humana" de Júlio Pompeu / Objetiva, 2011. 

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